Um estudo internacional mostra que as políticas ambientais falham na proteção ao Pantanal de Mato Grosso. Publicado na revista Environ, o estudo “The ineffectiveness of current environmental and fire policies in the world’s largest wetland”, aborda a maior planície alagada do mundo para apontar que as ações não tem funcionado para manter a disponibilidade de água e nem para combater os incêndios florestais. Com decretos e leis, a política ambiental falha em frear as ameaças ao bioma.
Elaborado por pesquisadores de instituições do Canada e do Brasil, através do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP), Instituto Nacional de Áreas Úmidas (INAU) e Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) pelos institutos de Física (IF) e de Biociências, o estudo traz análises sobre o Decreto Nº 774/2024 do estado de Mato Grosso, que pode acelerar a degradação do Pantanal. A análise demonstra que o decreto permite a conversão de grandes áreas de vegetação nativa em pastagens exóticas (não-nativas), além da utilização de áreas de uso sustentável para a pecuária extensiva.
Em números o estudo destaca que a ação estadual pode aumentar em 15 mil km² a área de pastagem de fora do Pantanal Mato-Grossense. Na prática seria uma área comparável ao total da vegetação nativa que ainda resta em que ainda não há estudos aprofundados sobre o impacto ecológico. Dados iniciais apontam que as espécies exóticas podem comprometer a biodiversidade local ao competir e se expandir sobre vegetação nativa, afetando o equilíbrio do ecossistema. Da mesma forma, a combinação de pastagens com a pecuária extensiva pode intensificar a degradação do solo, reduzindo sua capacidade de retenção de água e absorção de carbono, agravando os impactos ambientais no bioma.
“Precisamos de decisões baseadas em evidências científicas. O Pantanal é um ecossistema único e de extrema importância global. Se as políticas não forem revistas, poderemos perder parte desse patrimônio natural de forma irreversível”, aponta um trecho do estudo. Para os pesquisadores, sem mudanças estruturais nas políticas ambientais, o Pantanal continuará sob risco.
Medidas como a adoção de um manejo mais sustentável da pecuária, focando na recuperação e manutenção de pastagens nativas já existentes, a regulamentação do uso da água em toda a Bacia do Alto Paraguai e a implementação de programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) poderiam ajudar a equilibrar conservação e desenvolvimento econômico. A adoção de estratégias de manejo adaptativo, ajustando políticas com base em monitoramento contínuo e novas evidências científicas, pode aumentar a resiliência do bioma frente às mudanças ambientais.